quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Menos deus, por favor

Há uma superexposição de religiosos na mídia, na política, nos esportes, no rol das celebridades; e com ela, uma banalização do divino.

Televangelistas alardeiam feitos cada vez mais espetaculares. O país se assusta com o discurso conservador de políticos que, apesar de estarem na mira do Supremo Tribunal Federal, insistem com pautas moralistas. Celebridades se convertem e ganham mais notoriedade. Jogadores de futebol gravam frases de efeito na camiseta e apontam para o céu na hora da vitória. Vez por outra um automóvel passa com a afirmação escrita na carroceria: Presente de Deus. Depois que o Todo Poderoso ganhou fama, alguns pedem: Menos deus, por favor! – o deus, na frase, deve vir em minúsculo. (Recado a ateus, agnósticos e des-igrejados: a confusão entre Deus e deus é tamanha que teólogos e sacerdotes também têm dificuldade em distinguir um do outro.

Também quero menos deus. Imploro até: menos demiurgos, por favor. Em certas expressões da divindade, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, consideraria desnecessárias.

Não quero um deus técnico. Dietrich Bonhoeffer o chamou de ex-machina. Essa divindade se contenta com técnica, ritos, cerimônias. Basta recitar uma reza, aderir a um credo ou cumprir alguma liturgia e ele escancara portas e janelas para prosperar o crente. Por isso, manuais teológicos ou livros que ensinam os passos para agradá-lo, vendem bem. Como nenhum relacionamento depende de técnica, esse deus se parece mais com os ídolos primitivos que exigiam adulação para dispensar seu favor. Ele, portanto, é desnecessário em seu primitivismo.

Muito do pensamento ocidental vem das antigas concepções gregas, que entendiam o universo engrenado numa relação de causa e efeito. Deus, a causa primeira – o Motor Imóvel de Aristóteles – precisava ser tirado de sua indiferença através de sacrifícios, penitências e obediência. O fascínio atual por campanhas de oração, jejuns e doação de dinheiro, como meio de acessar o divino, tem a mesma lógica.

O desgaste da religião organizada é monumental. No Brasil, o segmento religioso que mais cresce desde a década de 1990 é o dos não-religiosos. Paradoxalmente, expressões da uma espiritualidade medieval, com práticas esotéricas, fervilham. Mega organizações florescem. Mais gente lota espaços onde intervenções sobrenaturais são o único recurso de reverter processos históricos perversos; se esse é o preço que deus cobra para aliviar o sofrimento das vítimas, ele não merece a atenção de ninguém.

Não quero um deus oligarca. Elites poderosas se organizam nome de ideais religiosos enquanto, no fundo, revelam apenas ambição de poder. Não consigo aceitar um deus que gera mandachuva soberbo. Não tolero conviver com uma espiritualidade que ajuda o sacerdote a aparecer em lista de bilionários. O estigma que pesa sobre o religioso, muitas vezes verdadeiro, é que a fé o torna cobiçoso, materialista e ganancioso. Se críticos da religião desdenham de discursos piedosos é porque duvidam da agenda, nem sempre cristalina, do clero. Millôr Fernandes acertou em cheio quando disse: Eu não dou dois centavos por um homem que lucra com os ideais que defende.

Antigos cristãos insistiram, no começo do movimento, que a vocação que vem de Deus capacita para o serviço e não para a dominação; para a doação de si e não para o lucro. Quem ousava tomar a cruz, tornava-se criado de todos, principalmente dos pobres. A Igreja não surgiu para disputar poder, mas para servir. Nos relatos mais antigos da fé, os primeiros cristãos foram tratados como a escória do mundo – escravos, exilados, pobres, marginalizados, nunca interessados na disputa política do poder.

Não quero um deus minucioso e controlador. Jesus falava de liberdade, de vida sem jugo. Mas veio o assédio do imperador de Roma e com ele, a necessidade de mostrar que o clero possue controle sobre a fé. O legado do Nazareno virou uma religião estatal. O legalismo se fortaleceu. [legalismo é obsessão por um sistema de regras que busca controlar todos os pormenores da vida]. Depois, na Idade Média, os concílios se arrastaram tediosamente por décadas. O desejo de conhecer até onde vai o controle de deus, fez teólogos perguntarem quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete e qual o valor a ser pago para abater alguns dias no purgatório. O legalismo resiste. Religiosos continuam a perder tempo, debatendo sobre tamanho do cabelo das mulheres, gravatas e necessidade das vestimentas clericais.

Se as grandes questões como justiça, paz entre as nações, sorte dos inocentes e a esperança dos perdidos não dominam as prioridades, outros debates serão irrelevantes. Diante de um mundo em que milhões sofrem com o desemprego, a África arqueia sob o peso da miséria e da Aids e a corrida armamentista consome riquezas inomináveis — não deixa de ser ridículo apequenar o debate sobre a intolerância divina com as minúcias do dia a dia.

Não quero um deus manhoso e instável. O deus tribal, carente de elogios, precisa morrer. Religião neurotiza sempre que procura forçar o seguidor a andar sob o peso da perfeição absoluta. Instituições, interessadas em gerar pavor de que a qualquer instante vem castigo do céu, adoecem mais do que curam. Concordo com o rabino Harold Kushner:

Acredito que a mensagem fundamental da religião não é a de que somos pecadores porque não somos perfeitos, mas a de que o desafio de ser humano é tão complexo, que Deus não perde tempo esperando de nós a perfeição. A religião vem para purificar-nos de nosso sentimento de desvalia e para assegurar-nos de que, quando tentamos ser bons, e não conseguimos ser tão bons quanto desejávamos ser, não perdemos o amor de Deus… A religião é a voz que diz: eu vou guiá-lo através desse campo minado das difíceis escolhas morais, compartilhando com você a percepção e a experiência das grandes almas do passado, e vou lhe oferecer o conforto e o perdão quando você estiver perturbado pelas escolhas dolorosas que fez”.

Quero menos deus. Anseio por uma espiritualidade em que Deus permeia a vida sem a manipulação dos cambistas, sem a euforia dos curandeiros e sem a intolerância dos fundamentalistas. Desejo mais Deus para que sua mensagem continue a inspirar novos Bachs e novos Hendels. E que Ele levante homens e mulheres, iguais a Martin Luther King e a Mandela, como profetas da justiça.

Quero menos deus. Todavia, desejo mais Deus para que igrejas, plantadas nos morros violentos do Rio de Janeiro e na periferia de São Paulo, espalhem solidariedade, paz e coexistência. Quero mais Deus para que os crentes aprendam a respeitar o próximo, sem distinguir gênero, orientação sexual ou cor da pele. Precisamos menos deus para que mais Deus nos leve a acreditar no amanhã.

Soli Deo Gloria


por Ricardo Gondin

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

MASTURBAÇÃO

O fato de a Bíblia não condenar explicitamente a masturbação não impediu que o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, citasse 7 trechos das escrituras para concluir que a prática contraria “os princípios” de Deus.


Segundo o pastor, os “textos genéricos” (a expressão é dele) que podem ser usados para reprovar o onanismo são Gênesis 2:24 e 38:6-8; Romanos 6:12; Romanos 6:23; 1 Coríntios 6:12; 1 Tessalonicenses 4:3-5; e 2 Pedro 2:19.


O mais dramático deles pune, na interpretação do pastor, o masturbador com a morte. “Deus dotou o ser humano com um código moral, e toda vez que o infringimos há tristeza, dor, culpa, porque o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23)”, escreveu o pastor em seu site, o Verdade Gospel.


Malafaia citou Gênesis 2:24 para lembrar que Deus criou o homem e a mulher para um complementar o outro, o que significa, segundo ele, que “o orgasmo para si mesmo” é pecado. 


O Gênesis 38:6-8 é o do Onã, que, na relação sexual com sua mulher, dava um jeito de derramar o esperma na terra. Para Malafaia, Onã deu origem à palavra onanismo, porque ele praticava uma “masturbação disfarçada”. 


O pastor usou 2 Pedro 2:19, Romanos 6:12 e 1 Coríntios 6:12 para afirmar que o masturbador se torna escravo do seu desejo.

Masturbação é ou não uma prática pecaminosa?

Abordar o tema masturbação à luz da Palavra de Deus não é algo simples. E, por pastores, líderes e pais fugirem desta responsabilidade, não discutindo o assunto por medo, tabu ou falta de informação, o conflito na mente de muitos jovens persiste.

A consequência disso é que alguns desses jovens, desinformados, poderão adotar tal prática, sucumbindo à culpa neurótica ou refugiando-se na educação secular e em padrões mundanos, que contrariam os princípios que Deus estabeleceu para o desenvolvimento sadio e equilibrado do ser humano. Isso traz sérios problemas à vida espiritual, psíquica e emocional.


A masturbação é uma prática pecaminosa à luz da Palavra de Deus. E, talvez a maior dificuldade de alguns para lidar com a questão seja a inegável realidade da explosão hormonal na puberdade e o fato de a Bíblia não proibir explicitamente esta prática — o que não nos impede de deliberar sobre o assunto, com base em textos mais genéricos, como os que estão em Gênesis 2.24, 38.6-8, Romanos 6.12, 1 Coríntios 6.12 e 1 Tessalonicenses 4.3-5.

Em Gênesis 2.24, somos informados de que Deus criou o homem e a mulher. Eles foram criados com órgãos genitais distintos e a libido, o desejo de união sexual, a fim de saciarem os seus desejos mais íntimos de companhia, de intimidade e de afetividade — necessidades que só são plenamente satisfeitas a partir do casamento, da união legal entre um homem e uma mulher que deixaram afetiva, econômica e geograficamente os pais, ou seja, que atingiram a maturidade. Sendo assim, o ato pelo qual alguém exercita sua sexualidade solitariamente, proporcionando a si mesmo o orgasmo, é uma prática contrária ao projeto de Deus para a vida do ser humano.

Além disso, alguém consegue masturbar-se sem imaginar um ato sexual, sem ter fantasias eróticas e sem deixar-se dominar pela lascívia ou pela luxúria? Após ceder à masturbação, a pessoa consegue ficar isenta da vergonha e da culpa?

Em Gênesis 38.6-8, encontramos o caso de Onã, que, agindo de maneira egoísta, tinha relação sexual com a esposa, mas derramava o sêmen na terra. Era uma masturbação disfarçada. Por isso, outro nome que dão à masturbação é onanismo.


Deus dotou o ser humano com um código moral, e toda vez que o infringimos há tristeza, dor, culpa, porque o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23). E quando uma pessoa é subjugada por algo, ainda que seja um desejo legítimo, ela se torna escrava (2 Pedro 2.19). Daí a recomendação de Paulo em Romanos 6.12: Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências. A conclusão do apóstolo é salutar: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma (1 Coríntios 6.12).

Em suma, não apenas a masturbação, mas qualquer prática sexual sem o compromisso do casamento entre um homem e uma mulher está fora do projeto de Deus, é pecaminosa e traz consequências funestas para o ser humano.

SUGESTÕES DE LEITURA: Lucas 19.10; Gálatas 5.16,24; Colossenses 3.5; 1 João 2.17

PORNOGRAFIA

Consumir pornografia é mais comum do que pensamos pelos que se declaram evangélicos. Enquanto que muitos já cauterizaram a consciência com argumentações a favor de consumir pornografia, outros ainda estão lutando para se livrar dela. Ninguém nunca me entrevistou sobre este assunto, mas imagino que uma entrevista seria mais ou menos assim:


1) Pode definir o que é pornografia?

Pornografia é aquilo tipo de coisa que é difícil de definir, mas que todo mundo reconhece na hora que vê. É a representação da nudez e do comportamento sexual humano com o objetivo de produzir excitação sexual por qualquer tipo de mídia. Geralmente trata os seres humanos como coisas e as mulheres, em particular, como objetos sexuais.

2) Por que as igrejas não falam mais deste assunto, já que certamente existem muitos membros viciados em pornografia?

Diversas razões. O assunto é considerado como melindroso de ser tratado em público. Além disto, alguns líderes receiam despertar o interesse das pessoas pela pornografia se começarem a falar sobre ela. Mais importante, pode ser que a própria liderança de algumas igrejas não se sinta autorizada a falar contra isto pelo fato de estarem, eles mesmos, lutando contra a adição à pornografia. Mas, é dever da Igreja orientar seus membros quanto ao ensino bíblico da sexualidade. Uma abordagem honesta, firme e bíblica instruirá a comunidade sem despertar curiosidades indevidas.

3) É lícito a casais cristãos usarem material erótico em busca de maior enriquecimento das relações sexuais dentro do casamento?

Acredito que não. O casamento não transforma o quarto de casal em quarto de motel. O que Jesus falou sobre a pureza das intenções no olhar para uma mulher (Mt 5.28 ) e o que Paulo nos ensinou sobre ocupar a mente com coisas aprovadas por Deus (Fp 4.8 ) continuam valendo para quem é casado. O fato de que o casal concorda em ver pornografia juntos não diminui em nada o peso destes ensinos. Casais cristãos que querem melhoria na vida sexual, podem utilizar livros sobre a sexualidade escritos da perspectiva bíblica, que ajudam a enriquecer a intimidade marital e melhorar a técnica sexual no casamento, sem incorrer em adultério e nos riscos envolvidos no uso de material pornográfico.

4) Mas, e fantasiar durante as relações sexuais com o marido ou a esposa, trazendo à mente imagens de relações sexuais? Seria errado também?

Sim, conforme resposta dada à pergunta anterior. É uma violação de Mateus 5.28 e de Filipenses 4.8.

5) Por que cristãos, que sabem que a pornografia é danosa e pecaminosa, se aventuram ainda a visitar sites pornográficos na Internet?

Eu poderia mencionar alguns aspectos da pornografia que a tornam atraente, como ser acessível, grátis e anônima. A razão primordial, porém, é a degradação do coração humano. Tal corrupção permanece no cristão e o inclina a todo mal. Conforme ensina o Senhor Jesus, “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, … os adultérios … as malícias … a lascívia…” (Mc 7.22-23). Ensina ainda o apóstolo Paulo: “as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia…” (Gl 5.19). Portanto, a libertação tem que levar em conta que o problema é espiritual.

6) Se uma pessoa casada está tendo problemas com pornografia, deveria confessar ao cônjuge?

Teoricamente, sim. No processo de vencer este hábito pecaminoso é importante ter alguém – de preferência o cônjuge – a quem prestar contas dos seus atos e pedir orações e apoio. Além disto, consumir pornografia é pecado contra o cônjuge, pois se constitui em adultério. Biblicamente, deveríamos confessar ao cônjuge e pedir-lhe perdão, além de seu apoio e ajuda para vencer o hábito. Todavia, em certos casos, pode ser que o cônjuge não esteja preparado para tomar conhecimento destes fatos. Será preciso ajuda de um conselheiro capaz e experiente, para ajudar no processo.

7) É lícito ao cristão ver imagens de nudez apenas para apreciá-las como arte?

Devido ao fato que somos seres sexuados, é praticamente impossível se expor à nudez sem que haja despertamento sexual, fantasias, desejos, impulsos e intenções. Isto é agravado pela presença da natureza pecaminosa no cristão, tornando-se praticamente impossível para um homem apreciar a nudez feminina sem o despertamento da lascívia e intenções sexuais. Além disto, a indústria pornográfica produz imagens de mulheres e homens nus, não para serem apreciados como arte, mas para provocarem a excitação sexual e a masturbação. Por fim, ao cobrir a nudez de Adão e Eva (Gn 3.21), Deus já indicou que a nudez deve ser velada e desfrutada apenas no ambiente de casamento.

8 ) A masturbação é errada?

Este hábito está profundamente ligado à pornografia. A masturbação é errada porque envolve o uso de imagens mentais eróticas e fantasias sexuais, violando Mateus 5.28. Dificilmente alguém se masturbaria pensando nas cataratas do Niágara...

9) Já que a pornografia é legal no Brasil, por que um cristão, que também é cidadão brasileiro, não pode consumi-la?

O motivo é que o cristão se rege primeiramente pela Palavra de Deus. Ainda que no Brasil seja legal a publicação, veiculação e consumo de material pornográfico, contudo as Escrituras condenam a prostituição, a perversão sexual, o adultério, a sodomia, o lesbianismo, e outras práticas sexuais que são objeto da pornografia.



por Rev. Augustus Nicodemus

10 maneiras de identificar um fariseu


No meio cristão é usual associarmos a hipocrisia com o que chamamos “fariseu”, já que era Jesus quem denunciava-os publicamente dessa forma, sem se importar com a influência política que esses líderes religiosos da época tinham, a ponto de poderem conseguir penas capitais através do Estado dominante - no caso, Roma – como a crucificação, por exemplo.
Fariseus tinham apoio público para seus atos, inquestionáveis, e exerciam a posição mais poderosa deste mundo: ministravam diretamente ao Deus Altíssimo, criador dos Universos.
Mas a pergunta que não quer calar é: você é um fariseu? Tem tendências a isso? Será?

1. Boas intenções originais justificando atos ruins

A seita dos fariseus surgiu em uma época anterior ao nascimento de Cristo, na época dos Macabeus – vide livros apócrifos na bíblia católica – quando a influência da religião helênica romana começava a trazer elementos à religião judaica (como o uso de imagens representando deuses) que descaracterizaram a Lei Mosaica, patrimônio nacional. Defender a manutenção dos valores da Lei era, além de apologia religiosa, garantia de que o Judaísmo não seria contaminado com abominações como a Idolatria.

Essa luta apologética pela preservação das Escrituras foi o marco inicial do grupo. Não demorou muito para que essa seita, que migrou para partido político, começasse a abandonar a força original, já que a liderança era passada de pai para filho, e os mesmo nem sempre tinham a mesma perseverança de seus antepassados, mas usando do prestígio do passado para se manter a frente, no poder.

2. A organização em nome de Deus é mais importante que Deus.

Jesus denunciou isso sistematicamente, não respeitando líderes daquele grupo por serem gente bem colocada socialmente. O mestre pedia contas a eles pelas responsabilidades que tinham em mãos, questionando a postura egocêntrica quando usavam de suas posições para beneficiar-se. O uso de retóricas religiosas para justificar atos perversos, e a incorporação desses atos como regras a serem usadas em benefício próprio, mesmo quando isso não é compatível com os preceitos no qual, originalmente, se propôs quando ingressou na organização é típicamente farisáica. A tradição de um sistema, mesmo que claramente perverso, para um fariseu, é mais importante do que a religião defende.

3. Não existir policiamento para quem faz policiamento é uma benção

Um dos detalhes que mais aborreciam o Mestre era o fato dos fariseus “aperfeiçoavam” cada vez mais as Leis e não às cumpriam.
Era comum entre os “rabinos” a discussão sobre determinados pontos da lei, como por exemplo, o cumprimento do sábado sagrado: Se um discípulo, quando questionado sobre quanto se pode caminhar em um Sabath respondesse 10 quilômetros , e outro 2 quilômetros, aquele que deu uma margem mais “dura” era tido como um bom discípulo, enquanto o que dava uma distância menor era tido como “liberal”, um “abolicionista da Lei”. Jesus acusava-os de inventar preceitos rígidos, fardos pesados, para cobrar dos outros o cumprimento, mas nem de longe cumpriam. Uma regra mais justa é melhor elaborada quando o próprio policiamento se policia. Isso pareceria muito mais com misericórdia, sentir a dor alheia.

4. Inventar regras para evitar debates

A interpretação da Lei com textos fora de contexto - assim como fazem com a Graça hoje – muitas vezes foi artifício montado para evitar questionamentos de mentes mais ávidas. Jesus questionou essa postura e - sendo conhecedor da Lei( que Ele mesmo criou) – não dava brecha para esse tipo de invenção. O messias, não saindo do contexto e não estando atado a proteção de nenhuma organização religiosa, explanava as reais razões e motivações que originavam a criação da Lei. O Legalismo ainda hoje é uma forma eficaz de calar bocas, embora não passe de falácia.

5. Máscaras

A aparência na vida de um fariseu é primordial. Diferente de um político – que necessita da projeção para ganhar votos – o religioso, que tinha seu cargo assegurado por ser de descendência, exige que os lugares de honra, assim como exige que os que vivem a sua volta o tenham como uma espécie de ser sagrado, o que Jesus nunca fez.

6. Em nome da proteção da Lei, ele quebrará a Lei

Está escrito “Não matarás”, “Não dará falso testemunho”, mas para calar a boca de Deus, os fariseus ignoram fatos e quebram o Mandamento, não explicitamente, mas com a desculpa de que, na verdade, estão destruindo o inimigo da Lei. Pregadores da Justiça cometendo injustiças para que a suposta Justiça prevaleça.

7. Fariseus perdem o foco sempre que sua teologia é confrontada

Kemuridama é um artificio ninja para escapar de determinados confrontos, uma pequena explosão de fumaça que oculta a fuga do guerreiro. Jesus – e mesmo o apóstolo Paulo – usou a “ressurreição” como kemuridama quando estava entre fariseus e saduceus, grupos de pensamento contrário sobre o assunto, deixando de ser o foco de ataque, deixando que se engalfinhassem com suas infrutíferas discussões sobre o sexo dos anjos.
Paulo conhecia o artifício tão bem que alertou contra ele, quando soube que haviam alguns assumindo linhas “teológicas” de Apolo, Pedro ou Paulo. “estaria Jesus dividido?”. Ainda pode-se ver hoje discussões acaloradas sobre a compreensão adotada (vide Calvinismo x Arminianismo).

8. Seguir a Lei só quando é conveniente

Por tradição, o filho do sacerdote do templo deveria assumir o sacerdócio e cumprir toda a Lei. Na época de Jesus, o sacerdote herdeiro não estava no templo, mas no deserto, não tinha vestes sacerdotais, mas pele de camelo, substitui a alimentação levítica por gafanhotos e mel. João Batista era filho de Zacarias, mas quem estava no comando dos “negócios” do templo era dois parentes, Anás e Caifás, genro e sogro. Se houvesse zelo como defendiam aqueles fariseus, certamente não assumiriam a posição que não lhes pertencia, nem quebraria a preciosa tradição, já que existe apenas um sumo-sacerdote, e não dois, intercalando-se ano a ano. A necessidade de projeção social fez com que fizessem vistas grossas àquela situação óbvia, e ignorar a Lei aqui seria prejudicial.
Muitas igrejas mantém regras obviamente erradas para manter em beneficio aqueles que a criaram, apesar de serem nitidamente injustas e incondizentes com o Cristianismo que buscam defender.

9. Por trás da aura angelical, ira belicosa

Todo fariseu posta certo ar de equilíbrio quase zen-budista. Isso dá segurança aos que veem como referência espiritual. Isso é uma arte Alguns exageram, ficam com trejeitos estranhos, esquisitices. Na intimidade, são pessoas comuns, até agressivas, e algumas até perversas. Isso é comum quando a necessidade da aparência suplanta a necessidade intima de conversão.


10. Mentiras em nome de Deus

Um fariseu conhece a Palavra, isso é fato. Somando-se a sua aparência de legítima santidade e o reconhecimento público de suas insígnias, uma mentira ou outra, usadas por “causa justa” jamais serão questionadas. Quem, em sã consciência questionaria um servo de Deus e correr o risco de ser fulminado pelos céus por petição desse servo?
Mentiras ajudam a manter o rebanho, reforçam verdades universais com pequenas distorções benéficas aos cofres, colaborando na manutenção e expansão do reino (com letra minúscula mesmo).

É a forma mais rápida de se atuar em nome de Deus quando o Espírito não tem mais vez nas escolhas da comunidade.


Extraído do Site http://www.genizahvirtual.com

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Salmo 116

Salmo 116:12 - O que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que Ele me tem feito?

O que eu posso dar a um DEUS que tem TUDO?

O DEUS que tem TUDO pode ter tudo, mas Ele não tem TUDO se eu não der a "minha" vontade a Ele.

Um DEUS que tem TUDO, para que Ele tenha TUDO, Ele precisa que Eu me dê a Ele!!!

Eu fico pensando que DEUS quer o meu "Livre Arbítrio" de volta...

Um DEUS amoroso que poderia me agarrar e me dizer "VOCÊ É MEU" não o faz porque isso não seria amor, seria um estupro. Amor é outra coisa! O Amor DOADOR, não pensa em si, pensa no outro!

A Bíblia diz que fomos comprados por Alto Preço e eu fico imaginando que DEUS nos comprou como alguém que compra no eBay mas não recebeu a Mercadoria. Já fomos pagos, a NF está lá na Mão de Jesus mas ainda não nos entregamos.

Entregue sua vida! É o mínimo que você poderia entregar por todos os benefícios que Ele tem te feito!

DEUS te Abençoe!

Jonas

O Livro de Jonas é um livro muito interessante que tem detalhes que muitas vezes passam desapercebidos.

No Primeiro Capitulo, dos Versos 10 ao 16, descobrem que Jonas era o Pé Frio do Navio, pois estava fugindo do seu Chamado, da Missão dada por DEUS a ele. Eles, então, Oram, pegam Jonas e o Lançam ao Mar. O interessante é que depois disso o Mar se acalmou e aqueles Homens se converteram ao DEUS a quem Jonas servia.

O que eu vejo de detalhe que ninguém vê? É que mesmo nos desviando, fugindo do nosso chamado, fazendo o que da na telha, investindo nosso tempo em coisas supérfluas, DEUS tem sempre um plano por trás disso, por trás das consequencias que sofremos por conta de nossas atitudes. Não que ele seja um sadico ou oportunista, mas porque o intuito dele é salvar! Foi isso o que Jonas não entendeu e é o que nós não entendemos.

Nos últimos versículos DEUS diz a Ele: Você sente pena de uma planta que morreu, porque eu não teria de uma multidão que não me conhece?

DEUS tem sempre um jeito para se fazer conhecido mesmo nas burradas que você faz.

Não por causa de você mas porque dEle, por Ele, para Ele são todas as coisas.

Você é só um instrumento e se você não quiser, Ele levanta outro, como no caso de Jonas, veio depois Naum.

Pense nisso...


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Isso pode, isso não pode!

Antes de me converter, na adolescência, achava muito engraçado o comportamento dos crentes. Cheios de não me toques e restrições, eram um povo à parte. Depois de minha conversão, aos 17 anos, continuei achando engraçado o comportamento de alguns deles. Ainda cheios de maneirismos, pretensamente espirituais, dizendo que era da vontade de Deus tal e tal comportamento.

Acho que, pelo fato de não terpedigree, ou seja, não ser de família evangélica, sempre me encafifei com isso. Por exemplo: por que, em algumas igrejas, ter televisão era pecado mortal? E por que, nestas mesmas igrejas, hoje é possível até mesmo pastor ter blog e programa de TV? Mudou Deus, mudou a Bíblia ou mudaram os tempos?

Este é o grande problema em se sacralizar aquilo que deve ser entendido apenas como o jeito de uma época de se entender as coisas. Ou seja, a cultura, este óculos para se enxergar a realidade, é apenas uma construção humana, pessoal, falha.

Mas é com base na cultura, e não nas Escrituras, que muitos pautam suas vidas. Onde está na Bíblia, por exemplo, que crente deve apenas ouvir música dita evangélica? Onde está escrito que devo trocar, de bom grado, The long and winding road, dos Beatles, por algum ponto-de-macumba gospel? É óbvio que ouço música evangélica, mas apenas a de boa qualidade. Mantra vazio e mercantilista eu dispenso.

Onde está na Bíblia que cristão deve ser sempre sisudo, circunspecto, nunca podendo rir ou brincar? Aliás, este é um ponto interessante, pois sempre que se questiona algum bezerro de ouro do mundim góspi, logo aparecem suas catifundas dizendo que prestaremos contas a Deus por mexermos com gente untada, ops, ungida. Ora essa, este é o mais novo fenômeno gospel: a idolatria por gente viva, e bem viva, por sinal! Ao Deus verdadeiro toda a glória, honra e louvor; mas para esses hômi di delz, todo escracho e esculacho ainda é pouco!

Onde está na Bíblia que todo pastor deve ter cara de pastor? Aliás, gostaria de saber como é cara de pastor. Cada vez que alguém diz que não me pareço com um pastor, só respondo graças a Deus!, pois esta imagem pré-formatada na cabeça de muitos não quero pra mim. Aliás, as pessoas confundem pastor com executivo, empresário, coisas do gênero. Acham que o pastor só é fiel a Deus se fizer a igreja bombar. Substituíram a ação do Espírito pelo marketing e por estratégias gerenciais. Parafraseando o Sal 23, muita gente diz Chiavenato é o meu pastor...

Onde está na Bíblia que o mundo deveria nos aplaudir? Onde está na Bíblia que o sinal da aprovação de Deus é uma apresentação no programa do Luciano Huck, vender bastante CD e DVD, ficar rico e famoso e distribuir autógrafos para a patuléia? Como fica Jo 15.19 nesta história?

Enfim, a cultura é uma coisa passageira. Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, seria execrado hoje em dia, por causa do seu tabagismo. O mesmo poderia ser dito de Calvino e seu vinho ou de Lutero e sua cerveja. Ao se absolutizar aquilo que é relativo e passageiro, corremos o risco de relativizarmos Aquele que é o Absoluto. Como, aliás, tem acontecido muito ultimamente.



Texto extraído do Site http://www.genizahvirtual.com